AGAMENON #28

A performance “bicho” diante da presença de crianças no Museu de Arte Moderna de São Paulo é analisada por cinco visões diferentes – separando a apresentação (e as impressões que ela passa) da polêmica e guerra ideológica que tomou as redes sociais no país. A utilização política do fato e as estratégias do MBL também foram analisadas, assim como a postura daqueles que insistem em dividir o país em apenas dois lados.

Antes desta debate, o epílogo mergulha na música, nos bastidores de shows e relembra “ambientes hostis” da noite do Recife e, como não poderia deixar de ser, de Olinda. Ouça agora ou quando quiser.

  • Olá a todos!

    De mesmo modo que Fred sugeriu um exercício, vou propor um aqui também: Imaginem que na performance, na hora de entrar no palco, a criança é quem tiraria a roupa e deitaria no chão e o artista agora seria o manipulador (ou tocaria) o corpo dela como uma obra de arte viva. Sem sexualidade ou qualquer tipo de erotização. Qual seria a reação de vocês a algo desse tipo?

    Eu sei que tem gente aí que vai concordar e gente que vai continuar sendo contra. Mas isso só serve pra mostrar o quanto a bandeira política influencia nossas opiniões até certo ponto que lá no fundo achamos aquela situação uma merda inacreditável, mas para não abrir mão da posição política fingimos de conta que aceitamos. Ou até vemos que aquela situação nem é tão absurda assim, mas fingimos ser a maior escrotidão do universo para não parecer contraditório.

    Infelizmente não há como expor esse tipo de conceito, pois esse exercício reflete apenas interiormente em cada indivíduo. Gostaria muito que vocês tentassem isso no epílogo do episódio 29.

    Fora isso. Eu vi muita gente aí no debate colocando panos quentes e com medo de revelar suas verdadeiras opiniões sobre o assunto. O posicionamento ideológico (seja político, econômico ou social) é importante e (para mim) não tem essa de “eu sou vítima do ambiente em que eu vivo e queria ser diferente”, quem é vítima de influência ideológica, percebe isso e não muda é chamado de massa de manobra. Tenho que respeitar Cassio e Joao por ter realmente defendido seus pontos de vista de maneira mais aberta. E nesse caso, eu tô com Cassio.

    Eu sou libertário. E embora muita gente confunda esse tipo de ideologia com a direita, existe várias diferenças. Acreditamos que a liberdade do indivíduo até acima de qualquer regra ou moralidade social. O indivíduo numa sociedade libertária é limitada pelo respeito as leis naturais, que são as leis inerente a todo o ser humano (direito a vida, direito a propriedade, direito a busca pela felicidade, etc..). Também sou minarquista, acredito sim que estado pode desempenhar seu papel na sociedade, por tanto que seja apenas em setores como a segurança e justiça.

    A minha visão sobre esse assunto é bastante aberta, muito embora minha visão ética e moral condene de maneira veemente o que aconteceu nessa “performance artística”. Mais isso é uma visão de ética minha e eu não posso atribuir essa visão a vida de outra pessoa. Simplesmente não posso. Da mesma forma no processo reverso.

    Outra coisa seria o posicionamento da garota em relação a participação no ato. Vendo o vídeo com cuidado, me parece que a menina está muito desconfortável com tudo aquilo e não vê a hora de sair. Se a menina foi forçada de alguma forma a participar, seria algo a ser discutido com mais profundidade. E um último ponto seria a impacto psico-pedagógico na cabeça daquela criança.

    – Como vocês disseram, o que aquilo ali traria de positivo pra criança?

    – Brincar com um corpo adulto como se fosse um brinquedo? (isso me parece perigoso)

    – Ou aprender mais sobre desmistificar o nu? Teria mesmo que ir ao museu, numa apresentação pública para isso? Poderia simplesmente ir no banheiro de casa, tomar um banho com a menina e mostrar como o nu é pra ela. Me parece uma solução mais didática. Ou até mesmo mostrar figuras ilustrativas. Não sei.

    -Será que seria pra menina apreciar a arte? Se nem pessoas adultas e com certo conhecimento apreciam ou entendem esse tipo de “arte” imagina uma criança de <10 anos. Me parece mais desnecessário do que positivo. Mas como eu disse, é de liberdade da família se todos indivíduos de bom grado querem participar de um ato desses.

    Gostei bastante do debate que vocês fizeram, se fosse nesse nível no twitter acho que mais pessoas se desligariam desse radicalismo pelo bem maior da sociedade.
    Foi mal pelo textão, mas essas foi minhas considerações.
    Grande abraço.

  • Lucas Lourenço

    Pqp, os caras não sabem, em absoluto, quem é Bolsonaro. É por isso que a grande mídia não é levada a séria, compraram o “Bolsonaro tosco”, e reproduziram como verdade absoluta. O cara não atingiu o número de 4 milhões e 600 mil seguidores à toa não, ele é um fenômeno. Essa palhaçada politicamente correta, racialista, gayzista, feminista, é corresponsável pela ascensão dele. Como o cara não reza a cartilha, é rotulado. Mas por que ninguém cita os gays de direita que votam nele? E os negros? E as mulheres? Não são todos, aliás eu diria, que nem é a maioria, que reza a cartilha do “oprimido”. Isso é algo presente na mentalidade universitária ou na classe artística de formação de esquerda, mas não no sentimento popular. Pepê e Nenê são negras e lésbicas, apoiam Bolsonaro, só pra citar um exemplo. Clodovil era amigo de Bolsonaro, Amin Kader é amigo de Bolsonaro, só pra citar alguns homossexuais conhecidos. Mas na cabeça de esquerdista, todo negro, gay ou mulher, é coitadinho, oprimidinho, vítima social e que precisa de amparo. E só pra concluir, dizer que o discurso de Bolsonaro pavimenta o caminho pra violência nas ruas contra “minorias”, é de uma indigência intelectual assustadora. De toda forma, é uma indignação seletiva. Quando a “intelectual” Marilena Chauí dizia que odiava a classe média, ninguém reagiu. Quando o tal do Mauro Iasi dizia numa palestra que o papo com burguês se resolvia com um tiro de fuzil, ninguém reagiu. São os mesmos canalhas que saem às ruas com a camisa de Che Guevara, que acham bonitinha a revolução russa, e consideram a revolução chinesa a coisa mais bela do mundo, quando ocorreram massacres, pra não dizer genocídios, daqueles que se colocaram contrários a esses grupos políticos. Pra cima de mim? Para, porra!

  • André Gustavo

    Fred mito d+ foi de longe o mais sensato da conversa. João infelizmente tem uma visão muito radical a esquerda e as vezes se esquece de se colocar do outro lado da moeda.

  • Guilherme Carvalho

    Acompanho o Agamenon desde o primeiro programa. Apesar de não ser de comentar sempre, dessa vez eu não consegui me segurar. Ser de esquerda, beleza, tenho ótimos amigos que são esquerdistas. Agora dizer que Bolsonaro prega homofobia e racismo, já é falta de conhecimento. NUNCA, em nenhum momento, ele usou qualquer discurso de ódio contra eles (diferente de Che Guevara e Fidel Castro, por exemplo.) Quem vota em Bolsonaro, vota por não aguentar mais tanta corrupção, tanta insegurança e tanta impunidade. Vou votar nele, mesmo sabendo que ele não sabe nada de economia, mas o concorrente direto (Lula) também não aparenta saber. João, ser esquerdista sim, mas mente fechada não. Em um dos programas passados chegou a dizer que a policia não estava muito boazinha, pelo contrário! Como assim???? Sabendo que um policial só pode disparar sua arma se o bandido disparar a dele primeiro! Acorda, João! O resto do elenco, parabéns pela imparcialidade.