TELECAST #236 – Sport 1 x 3 Vitória

Cassio Zirpoli, Fred Figueiroa e Rafael Brasileiro analisam a derrota do Sport para o Vitória na pior apresentação do Leão na Série A de 2017. Ouça agora ou quando quiser!

  • Aldem Johnston

    Algumas observações:
    1 – O número de passes errados no campeonato do Sport preocupa (387, é o 2º que mais erra), mas nem de longe é o maior problema da equipe, vez que a Chapecoense (reconstruída do zero após a tragédia, com um elenco muito mais barato que o Sport, formado inclusive com refugos do Sport) é o time que mais erra passes no campeonato brasileiro (394) e está em 5º lugar;
    2 – Das 43 partidas do Sport em 2017, Diego Souza foi poupado e também não jogou em algumas por contusão ou convocações para a seleção, mas, das que jogou, só conseguiu ter um bom desempenho no 1º tempo contra o Danubio e no jogo da volta contra o Campinense. Os números dele no campeonato são horríveis (5º no time em finalizações, 9º em lançamentos, 11º em dribles e 5º em assistências). Ele é o jogador mais caro do Sport, o que tem o maior potencial técnico, o único que joga pela seleção brasileira e está passando para a torcida a sensação de omissão, descompromisso, lentidão e preguiça. Da mesma forma que não pode ser crucificado ou alvo de críticas pessoais ou à sua família, também não pode ser defendido cega e obstinadamente;
    3 – Thomas foi anunciado por toda a grande mídia de Pernambuco como um meia, entretanto ele está jogando pelos lados de campo (se juntando ao inchaço deste setor no elenco: Everton Felipe, Osvaldo, Lenis, Marquinhos e Rogério), de modo que o Sport, ante a inoperância (ou seria falta de vontade?) de Diego Souza no setor, está sem criação no meio de campo e apelando para um esquema de 3 volantes “inspirado” numa Alemanha com 3 todocampistas (Kroos, Schweinsteiger e Khedira) tendo como peças Rithely (o melhor deles, mas longe de ser um todocampista), Ronaldo, Fabrício, Thalyson, Rodrigo, Patrick e Anselmo;
    4 – Apesar de ter enfrentado adversários de nível técnico muito baixo no campeonato pernambucano, na Copa do Nordeste e nas fases iniciais da Copa do Brasil/Sulamericana, o Sport “briga” com o Fluminense pelo posto de pior defesa (em números absolutos) dos times da série A, já tendo tomado inacreditáveis 48 gols (nos 43 jogos disputados em 2017, o Sport só passou 5 sem tomar gols). Em que pese a desorganização da equipe, não se pode ignorar que os zagueiros do Sport tem sim, independentemente de jogarem protegidos ou não, cometido inúmeras falhas individuais e são extremamente frágeis no 1 contra 1, de modo que o tema tem de ser objeto de debate sério e prioritário;
    5 – Não é válido menosprezar o título do desorganizado e desvalorizado campeonato pernambucano, pois o “galeto” é, de forma palpável, o único título possível de ser conquistado pelo Sport num ano em que disputou/disputa 5 competições! O Sport tem um orçamento e elenco que supera todos os dos demais rivais pernambucanos somados e, mesmo assim, viu o Santa Cruz, egresso da série D, vencer 5 dos 4 últimos campeonatos e não vence nada desde 2014. Ignorar o campeonato e eventualmente ser vice do Salgueiro irá aumentar a chacota dos adversários e a pressão em cima do time e da diretoria. Negar o direito do torcedor comemorar um título em prol de uma luta contra o descenso que certamente não será influenciada por um período tão curto de tempo que envolve os próximos jogos do Brasileirão e a final do pernambucano e abraçar-se com a mediocridade e assumir que o Sport todo ano luta apenas para ficar na série A e que o grande “título” para a torcida do Sport é esse;
    6 – Ainda sobre o pernambucano, o regulamento e o contrato com a Globo permitem que o Sport jogue a final com reservas ou com o time Sub-20? Antes de propor “abandonar” a disputa pelo título a imprensa deve analisar o que é exequível para o time, já que o inexequível fica a cargo da passional torcida;
    7 – Está na hora da imprensa pernambucana se debruçar em números e ser mais propositiva. A torcida pede contratações e dispensas. Há dinheiro para isso? O Sport tem o 9º elenco mais valioso da série A do Brasileirão, tem uma folha de pagamento entre R$ 4 e 3 milhões, um orçamento de R$ 113 milhões (30% menor que o ano passado), uma comissão técnica que custa cerca de R$ 400 mil mensais e gastou R$ 10 milhões contratando Rogério e André (que até agora não tem correspondido ao investimento). Neste cenário, o Sport tem condições financeiras de contratar? E o tal “meia de qualidade” que a torcida tanto pede, há nomes viáveis no mercado que aceitem uma proposta do Sport? Falar sobre os problemas é chover no molhado, é hora de colher informações passá-las para o torcedor (se possível, já que o Sport é pouquíssimo transparente) para acabar com as ilusões;
    8 – Na minha opinião, é hora de vencer o pernambucano, entregar o jogo na sulamericana, dispensar, emprestar ou atém mesmo vender quem for possível e não está rendendo no elenco, contratar (se for possível evidentemente) um ou dois enganches do futebol sulamericano para a criação de jogadas (já que é posição em que não há jogadores brasileiros em abundância no mercado), se não for possível contratar, conversar seriamente com Diego Souza e informá-lo que ele será o meia da equipe e ponto final e, por fim, focar para vencer de qualquer jeito os jogos em casa, beliscar um ou outro empate e tentar chegar desesperadamente aos 45 pontos que impedem a queda para a série B.