DOIS EPISÓDIOS EM POUCOS DIAS REABRIRAM UMA DISCUSSÃO QUE ACOMPANHA O BAHIA DESDE A CHEGADA DO GRUPO CITY: O QUE MUDOU NA IDENTIDADE DO CLUBE?
O primeiro caso aconteceu na Vila Belmiro.
Durante Santos x Bahia, Neymar e Rodrigo Nestor protagonizaram uma série de discussões. Nestor afirmou depois ter ouvido algo desrespeitoso não apenas contra ele, mas também contra a camisa do Bahia. A confusão continuou no intervalo e Neymar acabou expulso. No dia seguinte, o Bahia publicou uma nota repudiando as “agressões verbais” relatadas pelo jogador e cobrando respeito à instituição e à torcida.
Mas parte da insatisfação dos torcedores não ficou restrita ao adversário.
Publicações de jogadores do próprio Bahia em homenagem a Neymar depois da partida também passaram a ser questionadas, enquanto outros integrantes do elenco posteriormente demonstraram apoio público a Nestor. Roman Gómez, por exemplo, afirmou que o grupo defenderia o companheiro e a instituição “seja contra quem seja”.
Poucos dias depois, surgiu uma segunda crise.
Willian José compartilhou vídeos com ataques e generalizações contra a população nordestina após o segundo turno das eleições presidenciais. O conteúdo provocou forte reação entre torcedores do Bahia. O atacante, que nasceu em Alagoas, posteriormente afirmou que sua intenção era cobrar melhores escolhas políticas e investimentos públicos, e não atacar a região.
A repercussão também chegou ao futebol feminino. A goleira Yanne se manifestou em defesa do Nordeste, ampliando uma discussão que já havia ultrapassado o futebol.
O Bahia se posicionou oficialmente no dia 27 de outubro. Em nota, afirmou que não compartilha manifestações de ódio, xenofobia ou preconceito, disse que o episódio envolvendo o atacante foi tratado internamente e reforçou a defesa da identidade nordestina.
É justamente daí que nasce a discussão deste programa.
Antes da SAF, o Bahia ganhou projeção nacional também por seus posicionamentos em questões sociais e pela construção pública de uma identidade muito ligada à Bahia e ao Nordeste.
Com o controle do Grupo City, existe hoje uma desconexão maior entre clube e torcida? A instituição ficou mais impessoal? Quem exerce o papel de porta-voz do projeto? Existe um problema de comunicação ou uma mudança mais profunda na própria identidade do Bahia?
E quanto disso ganha ainda mais força quando os resultados dentro de campo não aparecem?
Fred Figueiroa, Cassio Zirpoli e Ravel Pinheiro analisam os dois episódios, a reação da torcida e o debate sobre pertencimento, comunicação, SAF e identidade no Bahia.